Maroubra Beach, 2015, Sydney

Entrevista com o fotografo de surf Murilo Lima

Começamos aqui um espaço totalmente dedicado ao profissional que nos traz a essência do que conhecemos como FOTOGRAFIA. O fotógrafo vai ser apresentado para que conheçamos os responsáveis por mostrar os picos ao redor do mundo, os atletas e suas performances nada seriam sem um fotógrafo/videomaker, os detalhes artísticos que cada um vê desde sua perspectiva não seriam conhecidos apenas se não fosse pelo trabalho do FOTÓGRAFO.

Abrimos essa sessão na web da revista Ride It! com um fotógrafo e amante da arte, Murilo Lima, que foi quem nos deu a idéia de trazer para dentro do lineup os profissionais de várias gerações, um pouco de suas histórias, curiosidades e para sabermos detalhes mais técnicos de cada um.

Murilo Lima é um desses fotógrafos que tinha o talento escondido e agora com o passar do tempo, prioridades cumpridas e vontade de mostrar o que seus olhos veem por aí, decidiu congelar esses momentos á sua maneira, com seu estilo peculiar que vamos ter o prazer de conhecer agora.

Murilo Lima, Fotografo de Surf

Murilo Lima, Fotografo de Surf

Nome:

Murilo Lima

Idade:

É algo relativo, mas meu primeiro registro foi 1981.

Origem:

Eu vim de Salvador, Bahia. Mas passei também pelo Maranhão, São Paulo, Paraíba, Irlanda, Espanha e hoje estou na Austrália. Amanhã posso estar fotografando alguma onda sua ao redor do mundo. Essa é a minha origem! Vou carregando um pedacinho de cada canto por onde passei e levarei para onde for.

Como começou sua ligação com o surf?

Long time ago! Eu sempre fui apaixonado pelo mar, de uma forma que realmente não sei explicar. Eu sempre achei sensacional ver a galera nas revistas de surf e em vídeos. Acho que a essência do surf já estava em mim, mas eu não sabia. Até começar a surfar por conta de dois amigos/irmãos (Michel e Rafael). Eles tinham um bodyboard e aí comecei a pegar onda, se não me engano isso em 1991. Desde então nunca parei de me envolver com os esportes ligados ao mar.

Murilo, conta um pouco de onde veio seu interesse pela fotografia.

Comecei a fotografar ainda criança. Mas a fotografia entrou na minha vida de verdade quando estava na faculdade, em 2003. Estudei duas matérias de fotografia (um ano no total) com o professor Luis Américo e também sendo voluntário do laboratório de fotografia, onde aprendi boa parte do que sei hoje com Vinicius Lima. No Lab aprendi desde como uma máquina (analógica e/ou digital) funcionava, passando por todo o processo de revelação até a utilização de um estúdio de fotografia. Foi também na faculdade que tive a oportunidade de estudar edição de vídeo, onde adquiri noções básicas. Fora isso tudo, o interesse veio também ao acompanhar grandes fotógrafos, principalmente os que possuíam conexão com o surf.

Big swell em Maroubra Beach, 2015, Sydney

Big swell em Maroubra Beach, 2015, Sydney

E profissionalmente, como começou?

Como eu surfava meu interesse maior era em fotografia de surf e esportes. Foi então, que passei a ir à praia quase todos os finais de semana para fotografar free surfistas aleatórios. Alguns amigos e parentes começaram a gostar das minhas fotos e me incentivaram a continuar. Quando morei na Irlanda aprendi a tirar fotos mais para documentar o momento, mas sempre buscando um ângulo ou composição diferenciada. Morando em São Paulo, vi que seria difícil tirar fotos do mar como fazia em Salvador e investi mais tempo em composição e ângulos diferenciaIs da cidade. Anos depois, quando fui para a Austrália, vi um mundo de possibilidades e resolvi investir em um equipamento profissional. Foi aí que decidi que iria mergulhar mais de cabeça nessa área da fotografia esportiva e documental.

Você reside na Austrália e sabemos que é um lugar com uma natureza exuberante e de rica cultura. Como é a vida de um fotógrafo brasileiro aí?

A Austrália é um lugar muito bonito. Paisagens fantásticas e incontáveis breaks / slabs para fotografar o surf e outros esportes radicais. Porém a vida aqui não é nada fácil, como muitos pensam. Temos que ralar bastante para comprar os equipamentos e pagar nossas contas. Além da concorrência com os próprios fotógrafos locais que nos obriga a sair do comum e ter que nos reinventar todos os dias para produzir fotos únicas e marcantes. Este, aliás, está sendo o meu foco.

Tamarama Beach, 2017, Sydney

Tamarama Beach, 2017, Sydney

Que estilo de fotografia te chama mais atenção?

Todos os tipos. A fotografia por si só já chama minha atenção. Gosto bastante de fotos dentro d’água, em ângulos inusitados. Hoje está crescendo a leva de fotos com drone, porém acho que está no início e acredito que os fotógrafos precisam aprender a pilotar, além de criar novos ângulos. Sei que em breve vai ser uma revolução e será levado para um outro nível, mas nada comparado às fotos de dentro d’água.

Quem são suas referências na fotografia, no Brasil e no exterior?

Rojas, Américo, Vinicius, Salgado, Clark, Barcellos, Carcará, dentre outros fotógrafos.

Quais são as principais dificuldades que você encontrou para começar?

Acho que como todos foram as referências. Saber se o seu trabalho está bom o suficiente para ser divulgado. Quanto cobrar? Qual equipamento? Quando clicar? Zilhões de dúvidas que acabam dificultando muito. Porém uma coisa que aprendi foi que só iremos descobrir se o trabalho está bom se colocarmos a cara a tapa. E, além disso, estar disposto a aceitar críticas sobre seu trabalho. Foi assim que enfrentei a dificuldade de começar. Além disso, os equipamentos. Tive que realizar outros trabalhos (sou formado em Graphic Design) para juntar dinheiro para comprar os equipamentos.

O que você tem feito para melhorar?

Tenho fotografado. Tenho buscado atletas ou freesurfers para fotografar e experimentar novos ângulos, momentos e por aí vai. E ouvir as críticas, que acho importante para a evolução do meu trabalho.

Big swell em Maroubra Beach, 2017, Sydney

Big swell em Maroubra Beach, 2017, Sydney

Qual seu equipamento atual?

Nikon D5500, lentes 18-55mm nikon e 150-500mm sigma, Iphone 4, 6s e a mais nova aquisição uma housing da Dicapac.

Planos para o futuro

Como disse: Investir mais na área de fotografia esportiva e documental. Manter a parceria com equipe do Konsep Seni, Maroubra Bodyboarder Club e Revista Ride It!. A produção de alguns quadros, exposições e um mini doc sobre surf.

Deixe um recado para os internautas da Ride It!

Na dúvida, continue tentando e testando, só assim você vai descobrir como anda o seu trabalho. O que vale é a experiência do caminho até o resultado final.

Para você seguir o que Murilo Lima vem fazendo com a sua câmera.

Murilo Lima Phography – Facebook
Murilo Lima Photo – Instagram

Confira um pouco mais do trabalho do Murilo Lima.

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