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Vagner Andrade, Campeão Brasileiro categoria PCD 2022

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A primeira etapa histórica Imagem @saoconradoclassic

Um ano histórico para o Bodyboard brasileiro e mundial. Podemos dizer que foi escrito um capítulo novo na história do esporte e foram desvelados verdadeiros super-heróis de prancha e nadadeiras.

Pessoas com deficiências físicas não ficaram na platéia e sim protagonizaram verdadeiras odisséias motivadoras em todo o Brasil. Motivaram muitos PCDs mas também as demais pessoas que viram que não há desculpas para o ostracismo e se jogaram também, novamente ou pela primeira vez de cabeça no Bodyboarding.
Vagner Andrade foi um dos primeiros a botar a cara e divulgar que é um bodyboarder com uma deficiência e que necessitavam mostrar suas caras  no cenário competitivo. Outros vieram e outros mais virão. Vamos conhecer um pouco mais do Campeão Brasileiro, o primeiro da categoria PCD do mundo.

Imagem @joelpesca durante o São Conrado Classic

1 – Vaguinho, vagueando você começou a mostrar seu interesse pelo Bodyboard e inicialmente, não se identificava como Pessoa Com Deficiência, e sim, um bodyboarder da Ilha Comprida, promovendo o esporte nas escolas, na praia e onde podia ter acesso. Como foram teus inícios e como se deu essa paixão pelo Boogie?

O meu início se deu com uma Morey Boogie 139 emprestada que os irmãos Glauco e Leandro Rigo entre 92 e 93 na verdade o bodyboard era da sua irmã Carla, eles eram e são a minha referência nas ondas, eles que começaram com o surfe aonde moro, Balneário São Januário, Ilha Comprida, aquela vibe de estar na natureza era demais, era contangiante.
Falando da referência tínha os bodyboarders Adilson Teixeira ” Wanderberg” e o Gilson Lima “Cho”, estudávamos juntos, e eles quebravam nas ondas, e as conversas que tínhamos, eu apreendia e ia para água buscar fazer o que entendia, uma vez que não havia essa diversidade de opções de informações e aprendizados que possuímos atualmente.
Tivemos o preconceito da contra cultura, que o esporte éramos taxados como vagabundos, maconheiros e sem futuro, mas fomos resistentes e demos a mensagem para a sociedade. então o meu contato com o bodyboard iniciou-se dessa maneira e sigo vagueando!

VITÖRIA PCD Imagem @cbrasb @ceterradosol

2 – Como você decidiu promover o PCD no bodyboard, como fez para convencer as entidades, principalmente a CBRASB a incluir essa categoria no circuito?
Sempre peguei onda competi com a galera sempre juntos, mas durante uma sessão em 2016, tinha um pessoal  me vendo surfar, e vieram me cumprimentar pela minha coragem e performance, porque sempre surfei em todas as condições, independente do clima e da estação do ano, nessa ocasião me falaram que seria questão de tempo para eu estar nas olimpíadas, confesso que essa conversa foi algo que me contagiou, pois como o surfe estaria estreando nas Olimpíadas, o bodyboard era questão de tempo também.
A oportunidade de fazer parte dessa meta audaciosa, seria inserir a modalidade nas paraolimpíadas, porque sou PCD (pessoa com deficiência), tenho uma luxação congênita no quadril onde tenho o encurtamento da perna esquerda e luxação no ombro direito que me compromete o movimento do braço direito.
Em 2018 tive a honra de participar do Bodyboard Legends promovido pelo Marcello Pedro, onde fui acolhido e reconhecido realmente dentro da modalidade, nessa ocasião, o Marcelo Rocha foi integrante da equipe, dali iniciou uma grande amizade e consequentemente as oportunidades foram acontecendo e fui conquistando espaço e difundindo essa idéia, aí em 2020 tivemos o CONABB (Congresso Nacional de Bodyboarding) promovido pela LNB (Liga Nacional de Bodyboarding), onde participei e levei essa idéia de percebemos esse seguimento dentro do cenário competitivo e o objetivo de tornarmos um esporte paralímpico.
Consequentemente recebi o grato convite da CBRASB (Confederação Brasileira de Bodyboarding) presidido pelo Marcelo Rocha e LNB (Liga Nacional de Bodyboarding) a qual o Marcello Pedro é o presidente para ser Conselheiro do Bodyboard PCD.
Dentro desse contexto tivemos e continuamos tendo um trabalho de mapeamento de praticantes e em 05 de Dezembro 2021 estreamos como apresentação no praia do Coral do Meio no Estado do Espiríto Santo, foi um sucesso, tanto que inserimos o PCD no circuito brasileiro desse ano de 2022 com adesão de vários bodyboarders dentro do território nacional.
Além disso conseguimos inserir a apresentação do bodyboard feminino PCD durante o mundial acontecido no Brasil em Junho de 2022, o Arcelor Mittal Wahine Bodyboarding Pro a convite da organizadora e pentacampeã mundial Neymara Carvalho validado pela IBC (International Bodyboarding Corporation), nessa ocasião fui convidado e atuei como comentarista.

Imagem @wahinbbprp apresentação PCD feminino no mundial

3 – Quem foram as tuas surpresas no circuito em nível competitivo, e quem mais te inspirou em cada etapa?
A grata surpresa é saber que essa categoria veio com tudo, tivemos atletas, pessoas comprometidas para que esse sonho tornasse realidade, Deus sempre na frente, mas cada pessoa que se comprometeu nesse processo, posso dizer que isso serviu de inspiração.
4 – Que barreiras você teve que superar nesse circuito? Conte algumas das experiências, positivas e nem tanto que você passou.
Falta de patrocínio, conciliar trabalho, vida pessoal esporte foi algo desafiador, acordar cedo entrar no mar em todas condições, encarar frio, chuva, vento, surfar anoitecendo, após um dia de trabalho, preparar comida, treinar e dormir ao longo do ano é algo desgastante preconceito infelizmente ainda existe, porque com o resultado vem vários parabéns, mas quando está iniciando o projeto, você está desacreditado e sozinho, mas a fé em Deus e Ele me conduz aonde me proponho chegar.
5 – Você consegue notar algum impacto nas pessoas , seja impressionando ao público pela atitude de vocês, ou até mesmo incentivando PCD ‘s a entrar no esporte? Qual feedback você pode observar nesse ano tão intenso?
Certamente notamos e percebemos a potencialidade nesse contexto, esse circuito rompemos paradigmas, as etapas foram em ondas desafiadoras, aonde muitos meros mortais nem cogitam entrar, entramos fizemos e acontecemos.
Temos um trabalho muito sério sendo desenvolvido pela CBRASB e LNB, temos o Hudson Renato, ele é responsável pelos estudos específicos para buscarmos a classificação funcional e tornar essa modalidade paraolímpica e olímpica.
O grande passo foi iniciado, posso afirmar que colheremos bons frutos, quem estiver conosco dentro desse contexto estará em um momento histórico e mudará positivamente as nossas vidas.
6 –  Deixe aqui seus agradecimentos e mande uma mensagem ao público em geral.
Elmo, agradeço pela oportunidade e pelo carinho que tem comigo e pelo bodyboard!
Agradeço a todos que de alguma maneira contribuiu para que o movimento acontecesse, em especial a CBRASB pelo empenho, credibilidade dentro do cenário que entramos para a história e estamos construindo.
Esse é título histórico tem um significado enorme para mim, pois é uma vida dedicada ao bodyboard, ele me proporcionou momentos incríveis, a mensagem que deixo, façam as coisas em que vocēs acreditem, porque Deus sabe tudo e está vendo todo o seu empenho!
OBBrigado Elmo por estar sempre junto!!

pics galeria Tony Dandrea Itacoatiara




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