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Empreendedorismo no bodyboarding: existe esperança?

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Grande parte dos bodyboarders relatam que tiveram a sua primeira grande experiência no esporte ao pedirem de
presente de natal uma prancha de bodyboard. Estamos perto da grande celebração e me veio a vontade de debater
franca e abertamente esse tema. Não falaremos sobre manobras, atletas e seus picos favoritos. Não discutiremos
competições e critérios de julgamento. Falaremos de algo que move o bodyboarding e o mundo. DINHEIRO!

Então procurei pessoas que estão fazendo pelo esporte, que investem no bodyboarding, para criarmos números que
possam ser divulgados e que todos saibam o porquê de um investidor ficar ou sair. Dizer que o bodyboard acabou é
fácil e muita gente “vomita” isso, mas qual a nossa parcela de culpa para que continue estagnado um mercado que é
promissor?
Levando em consideração o dólar sempre alto, a desvalorização da nossa moeda, as altas taxas de
importação, a ausência de insumos e matéria-prima principalmente nesses tempos de pandemia, como podemos
detectar a causa e efeito? Como podemos implementar projetos de inovações dentro do mercado do esporte como
startups? (O conceito de startup se trata de uma empresa em fase inicial que possui uma proposta de
negócio inovadora e com um grande potencial de crescimento. Podem atuar em qualquer área ou tipo de
mercado e, normalmente, utilizam a tecnologia como base. As startups se destacam por três fatores
principais: inovação, escalabilidade e flexibilidade) Será que temos destaques positivos relevantes?


Em cima de tantas questões, decidi fazer 5 perguntas para vermos vários prismas do mercado, não procurando
culpados, mas sim, enxergarmos pontos nos quais todos nós podemos ajudar para a consolidação definitiva do
esporte.
1) Por que o BB não consegue emplacar um mercado consumidor constante semelhante ao mercado do surf?
2) Você se considera uma startup ou conhece alguma startup voltada pro mercado?
3) O BB é um mercado que pode ser implementados novidades em muitas áreas ou é algo engessado em prancha e
pé de pato e cliente somente? Aonde você vislumbra nichos com oportunidades para crescimento?
4) A conscientização do praticante e admirador do esporte para consumir mais produtos que fortalecem o
mercado é essencial. O que falta pra que isso se torne uma verdade?
5) Por fim, qual a sua sugestão para que o cenário comece a mudar de forma significativa de tal maneira que o
esporte possa ser visto como bem lucrativo e rentável?

Lucas Nogueira é o principal piloto de testes dos produtos da Riforj. Pic: @gh.images

Lucas Nogueira – Octacampeão capixaba de bodyboarding, empreendedor, dono de uma marca de acessórios para bodyboarding
Lucas Nogueira: 1 – Acredito que estamos no caminho para isso. Precisamos continuar criando uma identidade, um
jeito de se vestir um life style mais sólido e que seja aderido por todas as classes sociais assim como o surf e o skate.
Também é importante, principalmente por nós que empreendemos nesse ramo, produzir materiais com excelente
padrões de qualidade para conseguirmos fazer com que os Bodyboarders consumam materiais e roupas de
Bodyboarding e o dinheiro gire no nosso mercado.

Produtos especializados, desenvolvidos por quem entende do assunto.


Lucas Nogueira: 2 – Sim, a RiforJ, minha marca de acessórios começou assim, com produção quase que artesanais e
hoje já fabricamos nossos produtos na indústria.
Lucas Nogueira: 3 – Acredito numa perspectiva de Bodyboarding como life style completo, um jeito saudável de se
divertir, praticar uma atividade física, ter saúde, treinar para o alto rendimento etc. e a partir daí a venda de
acessórios, vestimentas, aulas, eventos vem naturalmente.
Lucas Nogueira: 4 – Oferta no mercado, porque demanda tem. Foi o que falei lá em cima, precisamos investir em
qualidade pra atrair esse público que admira ou prática e muitas vezes acaba comprando no mercado do surf.
Lucas Nogueira: 5 – Mais empreendedores, mais investimentos, mais qualidade e continuidade no trabalho que
algumas marcas já vem fazendo.

O Cara!


Alexandre Varão: Bodyboarder há 40 anos, empresário desde os 16 anos, dono de uma das mais conhecidas
marcas voltadas para o esporte – BACKDOOR / BACKSTAR


Alexandre Varão: 1 – O empreendedor aqui no Brasil, em qualquer nicho, comete sempre o erro de NÃO ACREDITAR
NELE MESMO! Ou seja, faz as coisas sem foco, sem compromisso, visando qualquer migalha a curto prazo. O
bodyboarding é muito bom pra se trabalhar. O problema pior não é de quem tá fora, mas sim de quem tá dentro!
Alexandre Varão: 2 – Na verdade sou pioneiro e não uma startup!

Dedicação por décadas em fazer os melhores produtos.


Alexandre Varão: 3 – O Bodyboarding, por incrível que pareça, tem muitos nichos para serem trabalhados. Um
exemplo disso são as expedições feitas pelo Fabio Aquino e outros bodyboarders que viajam para surfar em picos
não tão conhecidos e com altas ondas. Tem muita gente com dinheiro que consome o esporte e não questiona o
valor de uma bermuda. Quer um produto de excelente qualidade, com preço competitivo entre as grandes marcas e
original. Tem também as grandes revistas estrangeiras que viraram canais no YouTube e estão colhendo frutos dessa
transição.
Alexandre Varão: 4 – Como eu já disse antes: O problema é quem está dentro! Eu presenciei um atleta metendo o
malho num campeonato, resmungando de tudo. Enquanto eu aguardava o meu cliente que, pasmem, surfa de
quilha e é grande apreciador do bodyboarding. Meu cliente estava amarradão vendo a performance da galera
enquanto o tal atleta continuava falando. Precisamos mesmo disso? Deram voz ativa lá atrás pra quem reclamava e
não produzia e quem fazia algo ficava sem força pra agir. O resultado é esse de hoje. Falta maturidade,
profissionalismo e comprometimento. O pior é que esse cenário não é só no Brasil. Lá fora também está ruim!
Alexandre Varão: 5 –Amem o esporte! Sejam apaixonados por esse esporte fantástico. Bodyboarding é bom pra
[email protected]#**%!!!]

Especialista fala porque entende do assunto.


Hugo Costa – Personal trainer dos top bodyboarders do Espirito Santo, membro da Cbrasb e a nova voz da locução no circuito nacional.
Hugo Costa: 1 – O problema ainda é o amadorismo. Não se procura investidores com pastinha debaixo do braço e
sim usando os recursos como vídeo conferência, redes sociais e todos os recursos digitais que existem hoje para criar
conteúdo e engajamento. A maioria dos bodyboarders pertence a classe C e D e isso ainda gera alguma rejeição
quanto ao lançamento de um produto bom no mercado. É necessário quebrar esse paradigma de precificação, ou
seja, o admirador do esporte tem que pagar pelo produto ou marca que gosta e não usar produtos piratas de marcas
que não apoiam em absolutamente nada no esporte.
Hugo Costa: 2 – Acho que todos que são ligados direta ou indiretamente ao esporte, na minha opinião, são startups
em potencial, porém desconhecem o potencial dos nichos a serem explorados no bodyboarding.


Hugo Costa: 3 – O bodyboarding têm muitos nichos, desde a organização de eventos, preparação e gerenciamento
de atletas, condicionamento físico entre outros. É muito mais do que o clássico duo: Prancha/Pé de Pato. Um grande
exemplo é a escola do Uri Valadão, com um grande faturamento e investimento pesado.
Hugo Costa: 4 – Precisamos valorizar o quadro técnico das federações, os atletas enfim, na estrutura. O atleta tem
que ser profissional, se espelhar nos grandes nomes e na postura deles. Não basta apenas surfar muito, tem que ser
um verdadeiro outdoor pra que seus patrocinadores recebam o devido retorno do seu investimento. Os exemplos
têm que vir de cima, de quem tá no topo e assim refletir nas próximas gerações a consciência de que o esporte
precisa. Se as federações, as escolinhas de bodyboarding e todos os que estão ligados ao esporte criarem essa
consciência, reafirmo que o mercado do esporte se torna algo bem grande.
Hugo Costa: 5 – Como disse no inicio, quebrar paradigmas e pensar fora da caixa. Criar produtos de qualidade para
todas as faixas de preço, para todos as classes de público. Criar o desejo e o orgulho de ser bodyboarder para que
esse atleta possa não somente consumir os produtos no mercado, mas sim dar feedback para os empreendedores e
que os empreendedores entendam as necessidades do seu público e pensem fora da caixa com criatividade. Assim o
caminho para o crescimento do mercado é ilimitado!


Só para lembrar a todos os envolvidos: você, leitor e nós, entrevistadores, somos bodyboarders. Se não tem dinheiro girando dentro do mercado, não tem patrocinadores, investidores, não tem eventos com premiação, não tem apoioou patrocínio para o mercado e não tem investimento para pranchas e acessórios para todos os custos. O esporte quebra literalmente.
Essa matéria é para que todos nós possamos iniciar um processo de conscientização,
amadurecimento e de certa forma comprometimento.

Aproveite e medite sobre cada pergunta e resposta.

Vida Longa e Prosperidade para o Bodyboarding!

Por Alex Muniz
Foto de capa: Alexandre Backstar no São Conrado by @mf.midia
Hugo Costa Personal
Lucas Nogueira Riforj




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